Versos para a minha filha

Nove meses na barriga,
carreguei-te orgulhosa
e por ver-te nas consultas
andava sempre ansiosa!

Eras um pontinho num ecrã,
tão depressa cresceste…
Quando soubemos o que eras
que alegria nos deste!

No forninho cozinhava
uma linda menina,
Benedita lhe chamamos,
Eras tu minha pequenina!

Não descansei enquanto não vi
a casa bem preparada,
tudo para receber-te
minha Filhinha amada.

Arrumei de fio a pavio
quartos, armários, dispensa.
A casa ficou um brio
a tempo da minha licença.

Chamam a essa obsessão,
a síndrome do ninho,
sossegar o coração
preparando a chegada de um filho.

Já não te carrego na barriga
mas és o meu maior feito.
Mudaste a minha vida,
meu Amor mais que perfeito!

 

*AMG*

 

Bom dia

Um beijinho de bom dia,

acorda-te de manhã.

Tantas festas e carícias,

te faz a tua mamã!

Na cozinha o papá

prepara a tua lancheira:

iogurte, fruta e pão

com um pouco de manteiga.

Dás um trago no leitinho

e uma trinca na torrada.

Olha que é tudo para comer

até à última migalha…

Quem estuda ou trabalha

tem de se alimentar!

O pequeno-almoço deve ser de rei

para o dia aguentar!

A higiene feita,

o uniforme vestido,

o cabelo penteado

sempre com muito estilo.

Finalmente sais para a escola,

acompanhado dos teus livros,

levas também uma bola,

para momentos mais activos!

Dá tempo para tudo

até à aula começar!

Faz favor de estar atento

nada de conversar!

Mal termine este verso,

de mansinho vou sair

Nem sequer me despeço

Para não te distrair.

Versos para dormir

Escurece, anoitece

são horas de dormir,

lava os dentes, a carinha e não te esqueças do xixi.

Já te espera, no teu quarto, o teu livro preferido,

tão contente com este título, está mesmo agradecido.

A mamã aconchega-te, o papá despede-se de ti,

inicia a leitura, esta história de aventura, da princesa Fifi.

Fadas, duendes e dragões, maravilhosa fantasia,

mal engatas no soninho,

Depressa já é dia!

Por vezes à noite tens medo,

mas está tudo na tua cabeça,

não há monstros nem monstrinhos

nem nada que se pareça!

A noite serve para dormir,

descansar e repousar,

para no dia seguinte,

teres forças para brincar!

Também eu já tenho sono,

por isso me despeço,

é que a noite não espera,

por um novo começo.

A ninhada

Era uma vez, uma menina de 5 anos chamada Ana Luís.

A Ana Luís tinha cabelos encaracolados, alaranjados como as telhas de tijolo da casa da sua avó. Olhos muito claros, verdes, tão grandes que mais pareciam dois faróis! Nas suas bochechas, rosadinhas, abundavam pequenos pontinhos que mais tarde veio a saber chamarem-se sardas. E estava sempre a sorrir. É verdade, a Ana Luís estava sempre bem-disposta!

Um belo dia, a nossa amiga ruivinha, andava a brincar no terreno verdejante que rodeava a casa da sua avó, quando escuta uma grande chiadeira. Aquele barulho, ela nunca tinha ouvido.

Estava acostumada à sonoridade das cigarras, dos grilos, dos cães das casas vizinhas, até dos periquitos da avó que passavam todo o dia a chilrear, mas aquele som para si era uma curiosa novidade!

Pé ante pé, apressa-se na direção do som agudo, abre a porta da garagem da avó, espreita por baixo de uma grande arca de arrumos que lá estava esquecida e eis que descobre com grande surpresa que aqueles “miii, miiii, miiii” eram o miar de uma ninhada de gatinhos bebés!

A Ana Luís nem podia acreditar! Eram 5 gatinhos de todas as cores, mas eram tão pequeninos que mais pareciam ratinhos! A Ana Luís não vendo a mãe dos gatinhos percebeu que teria de adotá-los, eles pareciam estar com muita fome! Foi então buscar 5 pratinhos das suas bonecas e encheu-os com leite. Os gatinhos imediatamente correram na direção do leite e começaram a lamber muito depressa, estavam esfomeados! Depois de esvaziarem cada um o seu leitinho, lentamente a Ana Luís aproximou-se deles para lhes fazer umas festinhas! Entretanto, foi buscar um ratinho de peluche para brincar com eles, e que bela ideia teve a Ana! Os gatinhos adoraram o peluche, saltavam, corriam para trás e para a frente, na direção do brinquedo. Já estavam de barriguinha cheia, agora já conseguiam brincar! A Ana Luís estava tão contente, que nem deu pela avó entrar na garagem!

– Então querida? Disse a avó.

– Olha avó o que eu encontrei! Uma ninhada de gatinhos! São tão fofinhos não são? – Respondeu a Ana Luís.

– São mesmo! – Concordou a avó. Mas logo de seguida continuou: Mas minha querida, escolhe um, não podemos ficar com tantos gatinhos!

– Oh avó, porquê? Eu gosto deles todos! – Retorquiu a Ana Luís, pela primeira vez, muito séria!

– Querida, os gatinhos não são brinquedos. Têm de ser muito bem cuidados e para isso é preciso levá-los ao veterinário, alimentá-los com uma comida própria para eles e tudo isto transforma-se numa grande despesa para uma só família! Por isso, podemos ficar com um gatinho, os outros teremos de encontrar novos donos! – Afirmou novamente a avó da Ana Luís, enquanto saía da garagem.

A Ana ficou a pensar no que a avó lhe tinha explicado e, realmente fazia sentido… cinco gatinhos para um fazia toda a diferença. Um pacote de leite tinha desaparecido num instante! A Ana imaginou-se a gastar um pacote de leite por dia e ficou preocupada… no final do mês seria um encargo enorme para a avó… Foi então que teve uma ideia brilhante! Se conseguisse que cada um dos vizinhos da avó ficasse com um gatinho, ficavam todos no mesmo bairro e ver-se-iam todos os dias!

Foi então que decidiu ir bater à porta da casa dos vizinhos da avó (com a ajuda da avó claro) e perguntar-lhes se gostariam de adotar um gatinho! No final do dia, já tinha conseguido que 3 vizinhos concordassem com a sua proposta, faltava apenas um! Mas a Ana já tinha batido nas portas todas da vizinhança… restava um gatinho sem família à vista…

Estava a Ana concentrada no seu dilema quando chega o seu pai. Tinha acabado de chegar do trabalho e passara na avó para levar a Ana de volta para casa.

– Olá minha linda, estás boa? Correu bem o dia? – Perguntou o pai.

– Olá papá, sim… – Respondeu a Ana pouco convincente.

– Hum pareces-me preocupada, queres contar ao papá o que se passa? – Questionou o pai da Ana Luís.

– Oh pai… encontrei uma ninhada de gatinhos bebés, a avó vai ficar com um mas tive de arranjar família adotiva para os outros 4… – Explicou a Ana Luís.

– E arranjaste? – Indagou o pai.

– Quase todos. Fui percorrer a vizinhança toda e consegui convencer 3 vizinhos a adotarem estas coisinhas fofas…

– Estás de parabéns, muito bem, já fizeste uma boa ação. – Exclamou o pai!

– Pois, mas ainda falta um! – Disse tristonha a Ana Luís.

– Ah falta? – Perguntou o pai. – E se eu disser que não falta nada?

– Então claro que falta pai, são 5 gatos, a avó fica com um, ficam 4, só 3 vizinhos é que concordaram em ficar com os gatinhos… por isso resta um!

O pai da Ana, deu uma gargalhada e respondeu:

– Sim tens razão, de facto ficaria a faltar uma família para um dos gatinhos. Mas como tu te portaste lindamente, foste muito persistente, eu vou adotar um gatinho também! Disse o pai da Ana.

-Uau pai! Jura a sério? Obrigada! Iupi! – Exclamou a Ana muito feliz!

E foi assim que a Ana Luís, recuperou o seu sorriso de sempre, salvando 5 gatinhos de passarem fome e frio!

*AMG*