Volta sol estás perdoado!

Tivemos tréguas da chuva e eu que tenho um polegar do tamanho de uma batata (em resumo, tenho uma infecção e o dedo inflamou, dói muito e já estou a tomar antibiótico) ganhei anos de vida ao abrir as persianas ontem e hoje de manhã!

Eu sei que a chuva é mais que necessária mas eu não aguento mais este tempo! Preciso urgentemente de dias secos! É que a vida do ser humano em geral melhora quando o sol brilha, mas a vida dos pais de um bebé piora inimaginávelmente quando chove.

Já pensaram ter de carregar a tralha toda para o carro? Com bom tempo já é o que é, então com chuva e vento… abençoadas garagens… é nestas alturas que pagava o que fosse necessário para ter uma!

Chegar ao destino e tirar o carrinho da bagageira e montá-lo, tirar o baby do carro e pô-lo dentro do carrinho, com sol já nos põe a transpirar, com chuva só de pensar já não saímos de casa!

Definitivamente, com chuva não dá para passear os putos, acabamos fechados em casa o fim de semana todo e com um feitio pior que o do gato Grumpy!

Por isso, perdoem-me o egoísmo mas fiquei muito feliz pelas previsões meteorológicas da próxima semana! Sol, no hard feelings, volta que estás perdoado!

*AMG*

Anseios

Desde sempre que sofro com ansiedade mas com o tempo aprendi a atirar para trás das costas pensamentos que me angustiem e vivo muito melhor assim. Faço desporto, mantenho-me ocupada e faço o exercício de pensar que não adianta sofrer por antecipação, nem desgastar-me com pensamentos que só me apoquentam e fazem sofrer.

Contudo, desde que sou mãe, sinto que estes episódios de ansiedade aumentaram. Aliás, começou na gravidez (acho que não há grávida que não passe por isso em algum momento – com direito a palpitações e tudo) e desde que a Benedita nasceu, já não acontece com tanta frequência como na gravidez mas há um pensamento que teima em chatear-me de vez em quando e que merece dissertação. Por mais estúpido que seja, e é, eu sei, de vez em quando lá me vem a cabeça.

Ele é o medo de morrer.

Ok, vocês estão a pensar, enlouqueceu de vez, todos vamos morrer um dia, de que adianta pensar nisso? E é verdade! Eu mesma faço esse exercício e a sério que consigo racionalizar e pensar que ainda que isso aconteça vai correr tudo bem, mas são incriveis as partidas que o nosso subconsciente nos prega. Ao ponto de sonhar com isso, de no sonho estar morta e pensar que tive uma vida curta, que ainda tinha tanto para viver!

Ontem, o pensamento voltou e estava com tamanho nó na garganta que tive de o partilhar com o meu marido. Foi o melhor que fiz porque ele fez-me realizar que é um pensamento natural de quem agora já não é apenas responsável por si mesmo, e sente o coração bater fora do corpo.

Fomos conversando, eu fui-me sentindo melhor e ele continuou dizendo que por isso é que é fundamental a realização pessoal, a importância de vivermos o momento e de vivermos plenamente. De fazermos o que gostamos A G O R A. De fazermos MAIS O QUE NOS DÁ PRAZER. De não deixar para amanhã, de não protelar, de não inventar desculpas para não fazermos algo que sabemos que queremos mas que acabamos por adiar porque temos tempo. Todos sabemos disto, que a vida é curta e todos esses clichés, mas quantos de nós estamos realmente conscientes disto?

A conclusão que tiro deste pensamento chato que teima em não me deixar é precisamente porque eu estou mais consciente. Estou mais disperta para a vida, para o que me rodeia, para o que faço com o meu tempo, com quem o gasto e a fazer o quê.

Isto que estou a fazer agora e tenho feito bastante ultimamente, que é escrever, faço-o por prazer. Não por altruísmo, para ajudar outras mães e bablabla, é mentira. Faço-o por puro egoísmo. Faço-o porque me dá prazer produzir conteúdos através da escrita. Sinto que estou a comunicar, a libertar-me de alguma informação que não sei bem porquê sinto necessidade de partilhar. Podia pegar no telefone e ligar com alguém, mas isso não me alegra como escrever.

Escrever apazigua-me e faço a analogia do desporto, porque tal como treinar, escrever cansa-me muito mas mesmo cansada, no fim, sinto-me melhor comigo mesma e sinto-me com mais energia ainda. Tal como fazer exercício, custa-me começar mas depois não me apetece parar. Provavelmente, a escrever, também produzo dopamina, a mesma hormona do prazer que se produz quando corremos ou fazemos exercício.

Aí  reside o busílis da questão: eu que não escrevia porque não tinha um motivo para escrever, hoje, não preciso de razão alguma para o fazer. Se o que escrevo ajudar alguém, fico muito feliz e dar-me-á uma motivação extra para continuar mas na verdade, não preciso de mais motivação nenhuma além da que já encontrei: a minha felicidade e o meu bem estar.

Quanto a anseios, enquanto consiga tirar algo positivo disso, são mais que bem-vindos!

*AMG*

Sou grata

Quantos são os bebés, que vivem na fartura? Cujas mães, sem pensarem duas vezes, compram na farmácia vacinas que levam uma fatia do salário minimo nacional?

Desde que fui mãe, este pensamento assalta-me demasiadas vezes a ideia. Entre fraldas, toalhetes, leite, produtos de higiene, vacinas, vitaminas, fora as despesas normais de um lar, como sobrevivem estas famílias?

É nestas alturas que me deixo de m*rdas, que ponho os pés no chão, agradeço a Deus as bençãos que me/nos dá e tento simplificar. É que, pondo as coisas assim, em perspectiva, ajuda muito a simplificar. Nestas alturas, vai-se a frustração e fica a gratidão.

*AMG*